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quinta-feira, 9 de maio de 2013

(Mais) Algumas opiniões (sobre esporte)

Já faz quase um ano que não escrevo algo por aqui. Não é, de fato, uma grande surpresa, uma vez que o Doutorado apertou nos últimos 9 meses - mas, pelo menos, cumpri minha tarefa e defendi minha Tese com sucesso no último dia 26 de março (um dia desses, postarei o link para quem tiver interesse em ler meu trabalho). Neste mesmo dia, surgiu uma oportunidade de ir trabalhar, mesmo que por pouco tempo,  fora da caótica - porém, minha cidade natal e lugar que respeito e admiro - São Paulo. Ainda espero pela resposta, mas tomara que dê certo. Só não sei se Dona Graça ou "Seo" Valdir vão lidar bem com isso... Sabem como é, ser filho único é dose. 

Mas, neste momento, paro de falar sobre pesquisa acadêmica e entro em um assunto que particularmente me interessa bastante - como vocês já devem ter visto nos posts anteriores. Esporte. Não vou negar: adoro acompanhar qualquer tipo de esporte, desde o manjado futebol - passando por basquete, vôlei, tênis, beisebol, futebol americano, hóquei no gelo e por aí vai - até o nada elementar Sepaktakraw (procure no Google e se divirta). E a coisa realmente fica intensa quando chegamos aos "finalmentes", o famoso mata-mata, seja ele em "jogo único", "ida e volta", "melhor-de-três", "melhor-de-cinco" ou "melhor-de-sete".

Em particular, alguns times pelos quais torço estão envolvidos em decisões neste momento. Não dá pra ficar tranquilo enquanto seu time, mesmo com poucas chances de vencer um adversário relativamente forte, dá o melhor de si para tentar o que parece quase impossível. Da mesma forma, você fica doido de raiva quando seu time não confirma o favoritismo e sofre até um desfecho que pode ser positivo ou extremamente negativo.

O primeiro caso se aplica ao meu time na National Basketball Association (NBA): desde idos da década de 90, torço para o Houston Rockets, aquele time que foi bicampeão da liga graças, em grande parte, a um gênio chamado Hakeem Olajuwon. Mas, desde então (e já se vão 18 anos), só foi para a final de sua Conferência Oeste apenas uma vez (se a memória não me falha). Neste ano, a equipe (renovada e com bons jogadores como James Harden e Omer Asik) foi para os playoffs (o "mata-mata" deles, em "melhor-de-sete") e, logo de primeira, enfrentou o Oklahoma City Thunder do jovem e genial Kevin Durant. O favoritismo era total e absoluto do Thunder, mas Houston lutou muito - errou bastante, é verdade - e vendeu caro a derrota. Ainda assim, doeu ver meu time perder a chance de ganhar os Jogos 2 e 3 da série: o que seria um 2 a 1 pro Rockets virou um 3 a 0 para OKC, uma vantagem que até hoje, nenhum time da NBA tirou na história dos playoffs. Passei raiva, torci muito, mas não deu. Pelo menos, o time jamais se entregou e poderá fazer muito em um futuro próximo. Mas, no ano que vem, já serão 19 anos sem título e o sofrimento continuará...

O segundo caso está ligado ao Corinthians. Vejam só, muita coisa mudou nos últimos meses desde a última vez que escrevi por aqui: por exemplo, o Timão venceu a Libertadores e o Mundial de Clubes (chorem,  "antis"! huahuahuahauh)... e se acomodou. Passou pela primeira fase da Libertadores deste ano sem ser brilhante e com os problemas de Oruro nas costas. E, apesar de ter eliminado o SPFC na semi-final do Paulistinha, ainda não convenceu neste ano. Agora, enfrentará o Santos ("o time do meu vô") na final do torneio estadual e, entre os dois jogos desta final, tentará reverter a vantagem do Boca Juniors (sempre ele, o Boca...) no jogo de volta das oitavas-de-final do torneio sul-americano - o primeiro jogo foi 1 a 0 para os argentinos, em La Bombonera. O Timão ainda deve um grande jogo em 2013, isso é fato. Pode acontecer nesta semana decisiva? Pode. Mas o time terá que voltar à boa fase de 2012 - quando a aplicação tática era impecável - se quiser repetir os feitos do ano passado. E, claro, neste processo todo, já perdi alguns meses de vida de tanto desespero e raiva que passei.

É isso aí. Acho que pra nove meses sem escrever algo por aqui, já é o bastante. Mas pretendo voltar para dar meus pitacos sobre assuntos variados: política, TV, animais e até mesmo música - por que não?

Até a próxima! (E se caiu no Horto, tá morto!)


segunda-feira, 5 de março de 2012

[ESPORTES] O "Bountygate" da NFL

Após um bom tempo fora do ar, estou de volta. Não que eu tenha desistido de postar alguma coisa, mas é que o tempo com o final do Doutorado e outras coisas se tornaram um impedimento para que eu continuasse com as postagens. Mas pretendo escrever sobre qualquer coisa com mais regularidade daqui pra frente. E pra marcar esse retorno, quero escrever uma ou duas palavras sobre o escândalo que foi revelado na última sexta-feira, 2 de março, pela National Football League (a liga de futebol americano dos EUA), representada pelo seu comissário Roger Goodell.

Segundo a NFL, o coordenador defensivo Gregg Williams (atualmente no St. Louis Rams) comandou um esquema de premiações paralelas para jogadores de defesa comandados por ele e que machucassem os adversários nas partidas. E quando falo machucar, falo de tirar do jogo mesmo! A liga afirma que o "prêmio" para cada jogador adversário fora da partida era de US$ 1500,00 e, se o jogador saísse carregado pelo carrinho, o "prêmio" seria de US$ 1000,00. As denúncias gravíssimas, resultado da investigação de três temporadas (de 2009 a 2011), remetem ao período no qual Williams era parte da comissão técnica do New Orleans Saints, time que foi o campeão do Super Bowl (a final da NFL) em 2009.

A investigação começou justamente após a temporada campeã dos Saints, quando quarterbacks como (os já aposentados) Brett Favre e Kurt Warner sofreram lesões graves após sofrerem pancadas fortes dos defensores dos Saints durante jogos dos playoffs contra Minnesota Vikings e Arizona Cardinals, respectivos times dos jogadores citados. Descobriu-se que um número entre 22 a 27 jogadores de defesa dos Saints, além do próprio Williams, participavam do esquema de "incentivos" (daí o nome bounty system, como está sendo chamado o esquema) nas temporadas de 2009, 2010 e 2011, o que pelas regras da NFL, é totalmente ilegal (pois eram bonificações fora do contrato dos jogadores, o que fere as regras do teto salarial da liga) - além de absurdamente antiético, pois ameaçou a integridade física de outros jogadores. E tudo isso com a conivência do técnico Sean Payton e do gerente-geral da franquia, Mickey Loomis (que, aparentemente, sabiam da situação, mas não fizeram nada para interompê-la). Estima-se que nos 3 anos do esquema, aproximadamente US$ 50 mil foram arrecadados "por fora".

Na mesma sexta-feira do anúncio oficial da liga sobre o escândalo, Williams admitiu e pediu desculpas pelo "terrível erro que cometeu". Além disso, o jornal Washington Post divulgou uma reportagem na qual jogadores do Washington Redskins afirmam que o bounty system também foi aplicado por Williams quando o mesmo era coordenador defensivo do time, em 2006 - o que levou Tony Dungy (técnico do Indianapolis Colts em 2006, quando foi campeão do Super Bowl, e atualmente, comentarista da NFL na emissora CBS) a sugerir que as quatro cirurgias no pescoço que o quarterback Peyton Manning teve que se submeter nos últmos 2 anos foram consequência de uma pancada forte que Manning sofreu de defensores dos Redskins, justamente naquele ano. E apenas para piorar um pouco a situação para Williams, há relatos de que a mesma coisa aconteceu quando o mesmo trabalhava para o Buffalo Bills e o Tennessee Titans, entre 2000 e 2003.

Se Goodell continuar aplicando sua política conservadora de integridade física dos jogadores, espera-se que todos os envolvidos no caso dos Saints sejam severamente punidos (seja com suspensões, multas, perda de salários, ou tudo isso junto) e o time de New Orleans perca escolhas do(s) próximo(s) draft(s), além de sofrer uma multa tão ou mais pesada do que aquela o New England Patriots recebeu no famoso caso do "Spygate" de 2007. É quase certo que Williams sofrerá as punições mais severas por ter sido o líder do esquema, mas se as denúncias adicionais forem realmente comprovadas, poderemos ter o primeiro caso de expulsão de um membro de comissão técnica da história da NFL.

Minha opinião sobre isso é a seguinte: o que houve em New Orleans (devidamente investigado pela NFL) ultrapassou os limites do jogo duro (o que é uma marca do futebol americano, um jogo que envolve uma intensidade física enorme) e traz à tona um sistema que, além de pressupor a necessidade de machucar um adversário por dinheiro, é um péssimo exemplo para aqueles que gostam do esporte. Goodell tem a obrigação de passar uma mensagem clara de que a NFL não tolera e não tolerará atitudes como essa, pois sabe que sua imagem ficará arranhada se as punições não forem exemplares e que a NFLPA (a associação de que cuida dos interesses dos jogadores e ex-jogadores da NFL) poderá ficar mais tranquila se a integridade de seus associados puder ser preservada, o que sempre é bom na hora de se renovar o acordo trabalhista a cada 8, 9, 10 anos...